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ALERGIA ALIMENTAR

12/07/2017

A alergia alimentar está crescendo na população. Cerca de 6-8% das crianças abaixo de 3 anos e 3% dos adultos são alérgicos a algum alimento. Teorias a respeito do aumento da incidência sugerem que o aumento da industrialização, alimentação ultra-processada, poluição, excesso de limpeza, parto tipo cesariana, uso disseminado de antibióticos e antiácidos estariam relacionados.

 

Os principais alimentos relacionados com a alergia alimentar são: o leite de vaca, ovo, soja, trigo, frutos do mar e oleoginosas, tais como castanhas, amendoim, nozes, avelãs e pistache.

 

A alergia alimentar é uma reação adversa associada com o mecanismo imunológico. A reação adversa dividimos entre tóxica e não tóxica. Reação tóxica é aquela causada por infecção viral ou toxina patogênica, caracterizada por febre, diarreia, mal estar e vômitos. Reação não tóxica é caracterizada por alergia ou intolerância.

 

A reação alérgica pode ser por mecanismo celular mediado, IgE-mediado ou misto. Mecanismo celular mediado é caracterizado por uma reação tardia que pode se apresentar horas ou dias após o contato com o alergênico. Ela pode se apresentar no trato digestório com diarreia, constipação, sangramento nas fezes, vômitos, dor abdominal, irritabilidade e baixo ganho de peso pela má absorção intestinal, causada pela inflamação da mucosa intestinal.

 

Reação alérgica IgE mediada é caracterizada por reação imediata, podendo levar segundos ou até 2 horas para aparecer, após a exposição ao alérgeno. Elas podem se apresentar na pele com vermelhidão e/ou placas avermelhadas, coceira, inchaço na pele, lábios ou olhos. No trato digestório com vômitos e/ou diarreia logo apos a ingestão. No trato respiratório com coriza, tosse e falta de ar.

 

Reação mista é caracterizada pela reação tardia e imediata. É caracterizada por dermatite atópica (pele seca e com coceira), esofagite eosinofílica (“alergia no esôfago associado com doença do refluxo”), gastroenterite eosinofílica (“alergia no estomago e duodeno com gastrite”) e asma (“bronquite= falta de ar e chiado no peito recorrentes”).

 

Deve-se ter cuidado para não confundir com intolerância a lactose, pois essa é uma reação adversa causada pela falta ou deficiência da enzima lactase em digerir a lactose (“açúcar do leite”). A intolerância se apresenta com distensão abdominal, diarreia, dor abdominal e flatulência minutos ou horas após a ingestão. Só acomete o trato gastrointestinal. Por isso o termo “alergia a lactose” não existe.

 

A comprovação diagnóstica é essencial para o tratamento adequado e também para evitar restrições e privações desnecessárias. A realização do diagnóstico é através da dieta de exclusão com resolução dos sintomas, com posterior reintrodução do alergênico e reaparecimento dos mesmos sintomas iniciais. Exames laboratoriais podem auxiliar nos casos de alergia IgE-mediada, principalmente para crianças acima de 2 anos, mas eles por si só não fazem diagnóstico. Exames complementares como endoscopia digestiva alta e /ou colonoscopia podem auxiliar nos casos de alergia mista.

 

O fundamental para a realização do diagnóstico, tratamento e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento adequado do paciente alérgico se dá através de uma equipe multidisciplinar com o gastroenterologista pediátrico, pediatra geral e nutricionista. Dúvidas e questionamentos devem ser discutidos com os profissionais da saúde para a resolução e melhora dos sintomas.

Renata Della Giustina Leal

CRM/SC – 11625

Pediatria – RQE 10492

Gastroenterologia Pediátrica – RQE 10594

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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