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Torcicolo Congênito e Plagiocefalia

28/09/2018

Há alguns dias, foram levantadas algumas questões a respeito do torcicolo congênito e plagiocefalia. Gostaríamos de colocar aqui algumas impressões e dados relevantes a respeito desta condição nos bebês:

O primeiro ponto a ser avaliado é o desequilíbrio muscular cervical: boa parte destes músculos têm as suas inserções nos ossos do crânio e nas vértebras. Este desequilíbrio gera uma tração desigual dos ossos do crânio, ocasionando, na maior parte dos casos a plagiocefalia.

Em relação a plagiocefalia, o deslocamento da placa occiptal influencia em todos os outro ossos cranianos: frontal, parietal, esfenoide e isso pode levar a alguns comprometimentos:

  1.  Acuidade visual: a projeção anterior do globo ocular pode trazer distorções na formação da dinâmica muscular da visão;
  2. Desvio de septo nasal: em decorrência das trações cranianas desiguais;
  3. Formação desigual dos seios da face, bem como as suas comunicações com as fossas nasais: podendo predispor a formação de sinusites;
  4. Desvios da coluna: o desequilíbrio muscular gera tendências de movimentação ou preferências, estas por sua vez obrigam a coluna a se adaptar para dar suporte ao movimento, gerando assim uma escoliose, por exemplo;

Em relação ao tratamento, existe duas correntes: uma com o uso de órteses, capacetes e outra funcional que busca tratar os desequilíbrios musculares.

Acreditamos que o tratamento dos desequilíbrios musculares, por ser a fonte dos problemas, seja mais adequado e gere resultados mais consistentes ao logo da vida. Além disso, utilizamos técnicas de osteopatia para mobilização das placas cranianas com intuído de deixa-las aptas a se adaptarem melhor ao crescimento do córtex cerebral.

Em relação ao tratamento com órteses há alguns questionamentos que ainda não são completamente respondidos na literatura:

  1. O sistema muscular cervical não foi desenvolvido para suportar um aumento de peso que não seja o fisiológico (crescimento cerebral, calcificação…), ocasionado pelo peso da órtese, isso tende a acentuar os desequilíbrios musculares, em resposta ao aumento da inércia ocasionada pela elevação da massa na cabeça;
  2. Uma das regiões em que a criança mais recebe feedback tátil é a cabeça, nos primeiros meses de vida. As órteses comercializadas atualmente cobrem boa parte dessa superfície tátil. Assim, não se conhece quais seriam as repercussões desta falta de estímulo tátil na formação do sistema nervoso;
  3. As órtese não respeitam completamente o crescimento do sistema nervoso central deixando folga para o crescimento apenas na região onde está o “amassamento”, não se tem estudos longitudinais avaliem o SNC desses indivíduos que usaram essas órteses.

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