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Manifestações alérgicas em pediatria

29/06/2016

Nos últimos anos, estamos vivenciando um aumento crescente de casos de doenças alérgicas, tanto nas crianças quanto em adultos. Essa tendência decorre do estilo de vida moderno, no qual estamos mais expostos aos poluentes do ar e aos alimentos industrializados, muitas vezes modificados ou adicionados de substâncias alergênicas. Outros fatores associados ao aumento da prevalência das alergias é a ausência de aleitamento materno exclusivo (pelo menos até os 4 meses de vida), a introdução mais precoce de alimentos potencialmente alergênicos, além da exposição intra-útero e precoce à fumaça de cigarro e o uso indiscriminado de antibióticos, com modificação da flora comensal intestinal.

Dentre as doenças alérgicas, existem quadros que podem acometer o trato respiratório (como a rinite e asma alérgica), a pele (urticárias, dermatite atópica e dermatite de contato) e o trato digestivo (como as alergias alimentares), bem como apresentar combinações variadas desses sistemas.

A expressão de maior gravidade da alergia, em que há risco de morte, é chamada anafilaxia e exige abordagem emergencial. Ela pode ser diagnosticada  quando o paciente manifesta acometimento de pelo menos dois órgãos, minutos ou horas após o contato com a substância alergênica. Para chegar a um diagnóstico, é necessária atenção especial à história e anamnese, tentando-se correlacionar a exposição a determinado alérgeno (como ácaros, fungos do ar, epitélio de cão e gato, alimentos ou medicamentos) com o início da manifestação do sintoma. Os testes alérgicos também podem ser ferramentas úteis, idealmente realizados por médico especialista.

Na maioria dos casos, as doenças alérgicas se iniciam precocemente, em crianças menores de 2 anos de idade, apresentando um curso e gravidade variáveis. Entretanto, muitas delas são confirmadas apenas mais tarde na infância. Em geral, são manifestações que apresentam flutuação ao longo do tempo, com períodos de piora e melhora, dependendo do grau de exposição da criança ao alérgeno. As crianças atópicas (ou alérgicas) também têm maior propensão para adquirir infecções, principalmente as virais, apresentando uma evolução mais prolongada, pois muitas vezes os sintomas das infecções se confundem com os da doença alérgica (como no caso do resfriado comum e da rinite alérgica, por exemplo).

Dentre a gama de sintomas que podem fazer parte das doenças alérgicas, podemos citar o prurido nasal e ocular, espirros, coriza, obstrução nasal, tosse, falta de ar, chiado no peito, manchas e lesões avermelhadas na pele, principalmente com coceira, que podem desaparecer espontaneamente e reaparecer em locais diferentes do corpo, com inchaço da pele ou mucosas.

Os quadros de vômitos, diarreia, distensão e dor abdominal, e mesmo a constipação intestinal, também podem ser manifestações alérgicas. Em alguns casos, ainda pode haver sangramento nas fezes. Na maioria dos pacientes, existe um comprometimento da qualidade de vida, com prejuízo nas atividades diárias (escolares, por exemplo), com impacto negativo na rotina da família.

Os quadros alérgicos podem ser transitórios, tendendo, de uma forma geral, a melhorar com a idade e a maturação progressiva do sistema imunológico. Existem várias opções de tratamentos farmacológicos disponíveis, mas o importante é que sejam sempre aliados ao controle do ambiente, principalmente onde a criança permanece durante a maior parte do dia e no quarto onde dorme. Recomenda-se a limpeza do ambiente com álcool e pano úmido, ao invés de se varrer a casa na presença da criança ou utilizar produtos com odor forte. Além disto, evitar cortinas, tapetes, carpetes e manter os ambientes arejados e ensolarados são aspectos fundamentais para o controle dos sintomas. A cura de algumas doenças alérgicas hoje também é possível com o uso da imunoterapia (uso de vacinas com extratos dos alérgenos), prescrita por médico capacitado, que requer um acompanhamento cuidadoso.

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