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Choro durante o exame médico

07/12/2017

A presença do choro durante exames médicos ou consultas ao pediatra é algo bastante corriqueiro. É, de fato, normal os bebês a partir do quarto mês de vida até o terceiro ano de idade, chorarem na sala de exame, especialmente durante o exame físico. No ciclo de desenvolvimento da criança, essa é uma fase de estranhamento, ou seja, nesse período, ela não quer se submeter a situações que não lhe agradam, não lhe interessam ou que ela não conheça. Assim, o momento do exame físico torna-se uma das principais situações de rejeição nessa idade.

É nesse período, ainda, a fase na qual a criança mede forças para saber até onde vai seu limite. Assim, ela se comporta de forma a compreender até onde pode ir e em que momento vão mandá-la parar. Nessa etapa, a criança passa a maior parte do seu tempo medindo seu poder e testando até onde ela consegue manipular os que estão ao seu redor.

Durante essa etapa, a criança cresce muito rapidamente e entra na fase do negativismo, do “não” e, nesse momento, o choro torna-se uma das formas que ela encontra de dizer “não!”. Aqui, surgem outros comportamentos, cuja intenção também é a expressão do “não” como, por exemplo, se jogar, bater a cabeça, vomitar, agredir fisicamente os mais velhos, morder ou cuspir.

Dessa forma, o que os pais devem fazer? Como eles devem se comportar? O segredo está em os pais se comportarem da maneira mais natural possível, como se o choro e a reina, não estivessem acontecendo! É difícil esta atitude? Com certeza, é muito difícil, mas é, também, uma grande prova de amor deixar a criança chorar, ouvindo-a calma e silenciosamente, pois é assim que lhe ensinamos os limites que devem começar desde o primeiro ano de vida.

Aprender a sentir as frustrações que a vida reserva é fundamental para o crescimento da criança. É necessário mostrar a ela que a razão sempre vence o instinto e que os limites impostos irão torná-la um ser humano feliz, capaz de, em sua vida, conseguir superar tanto as derrotas como as frustrações do dia-a-dia, sem esconder-se atrás das drogas, das bebidas ou de comportamentos anormais, que vão desde a depressão até a euforia exagerada, do suicídio até não valorizar a vida de seus semelhantes.

É essencial, ainda, não esquecer o básico: o exemplo de vida dos pais é o melhor método educacional, porque os filhos imitam não as palavras, mas sim o que os pais fazem vivem no dia-a-dia.

 

Dr. Cecim El Achkar

Pediatra e Educador

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